Estranheza

Ser estranho
Que me entranha
E distende o seu tamanho.
Estranho ser
Que me acompanha,
Intrínseca parte
Que me apanha,
Que me ama 
Quando arranha
- Molda-me em arte.

29.06.2011 


Cirurgia

Gostava de te poder arrancar 
De dentro de mim -
Correr pelas lagoas gigantes
Segurando o teu segredo.
Amputar-te deste pedaço
De carne pulsante,
Fatigado e fatigante.
27.06.2011

He Loves Me, He Loves Me Not

Stepping through
A spotted ground.
Singing every little,
Yellow petal around.

Feel the wind spinning and
Spitting my hair across 
My face,
Hug me with your 
Love embrace.

I try to recall
Your identity...
Blown leaves from
Drunken trees. 

26.06.2011 


Ausente

O que te digo
São juízos embebidos.
O que te dou,
Amo pelo que sou.

E grito, 
Deitada,
 Do chão da sala,
 Na nudez
Do nada.

24.06.2011

"You Are A Tourist" | Death Cab for Cutie

DayDreamer

How can you stop
My world to spin
While I’m left
To cries from violins?
Your praises are buried
In your head.
I wait
Where I lay,

Eager for the next day.

22.06.2011


The Nest

You're the thief
I'm haunting in a
Sepia contrast.
The face you see
In the looking glass
You're holding...
Eyes we cast.

21.06.2011

AgriDoce


Acompanho o erguer do sol.  

Olhos já há muito acordados
Postos no despertador,
Coberto pelo lençol.  

Olhos no tecto pregados,
És água envenenada,
Que nutre o meu caule.



Luto contra a
Trajectória que acompanha
Este girassol.

  18.06.2011

No Silêncio

As gotas rolam pelo
Meu corpo suado
Nestes dias frios
De calor abafado.

15.06.2011


Love at Sight

Alergia

"Nada se ouve. Tudo se demonstra, tudo se decifra.
Arrebato-me por ti e carbonizas o meu âmago. Apaixono-me. Feres cada meu sentimento de criança, mas os teus lábios apagam as marcas. Levas a bomba que tolera o meu corpo e fá-la explodir a meio do caminho.
Colas cada pedacinho seu e retornas."
(excerto de "My selfish moment" - 14.06.2011

"Kenino", Manchinhas e Pirata

Instante

"Penumbra" | shoot me
Paro em plena estrada.
O pavimento desmaiado
E à minha volta, nada. 
Saio do carro e
Sou abraçada pelo espesso
nevoeiro.
Esqueço-me das linhas 
Do roteiro.

Num impulso químico, 
Do peito que sustenta a dor,
Pela minha alma anímica,
Grito o teu nome.
E, nesse silêncio madrugador,
O mundo é meu.

14.06.2011

Mostra-te

Quem és tu que vê
Os meus segredos
Numa irreflexão inocente? 
Bates no meu coração
Continuamente e roubas
O ar que respiro,
Em diários momentos.
Numa sala deserta, 
Sinto um teu suspiro.
 Porque não falas?

13.06.2011

"sit & wait" | shoot me


Manifesto

Naufrago no mar
Duma outra cidade.
Pinto as fachadas
Com as cores do pôr-do-sol.
Os barcos chocalham no porto,
As ondas são o único som.
O farol no final da costa,
Ofuscado pelos raios incessantes.
O azul sobre nós, 
por entre figurantes.
Escondidos,
Em troca de promessas ofegantes.
Em caminhos paralelos,
Dúbios e errantes.

 Caminhar pela calçada,
Entre vielas cruzadas
E parar numa qualquer entrada
Que seja nosso lar.

12.06.2011

Holding Time

Take a step out
From this reality.
Focus on the
Sentences left to hear.
I hunger for the lines
You forsake amongst my leafs,
Along with quiet lullabies
Holding my stolen heartbeats.
Frozen by any infraction
Taken in an allnight thought.
Something should happen, 
Right now,
In this unperfect moment.

10.06.2011

LoveBites

Light reflected by
Your peel,
Flashed in my skin.
A simply warmth
Is my grin
To every day.
Your thoughts
are my ache
- The lies
Between us -
I breathe out
The words
I can’t say.

07.06.2011

Em Cativeiro

Ouço vozes que me lêem,
Enquanto penso no fim.
Nenhuns planos o antevêem.
Tenho um momento
Para parar. Suspender
As palavras em mente e
Atirá-las para a primeira
Folha na frente.
Silêncios fotografados
Num álbum que teima em não fechar.
Cálculos sem resultados.
Horas a perder,
Tempo para reflectir,
Deitada num velho sofá de madeira.
O pôr-do-sol a rebater
no lago, os patos numa fileira.

E, do topo deste monte,  
No meu humilde castelo,
Quando relanço sobre o horizonte,
Vou sempre espreitando para te encontrar.

03 a 05.06.2011

Transpiração

"(...) um relevo" | shoot me

Gravei-te no instante
Em que te vi.
Vagarosamente, arrastei-me,
Pulei de nuvem em nuvem
Até chegar aqui.
Quero sussurrar-te o que sinto
- Apaixonada por uma miragem.
 Envolveste-me nos teus braços,
Por entre a tua ramagem.
Perco as horas, perco o medo,
Enquanto te percorro inteiramente.
Tudo em mim é teu.
Tudo em ti é segredo.
Danço por entre as
Rugosidades da tua sinuosa superfície,
Às penetrantes e aprisionadas raízes.
Absorvida pela quente terra,
Rendo-me à tranquilidade entre nós.
A rodear-nos, estado de guerra.
 Esqueço o resto, ignoro o que sei.
Apenas a tua voz.

01.06.2011