Deambulando

"Lonely walks..." | Miguel Andrade | Fotografia
E ter-te aqui 
Assim,
Junto a mim,
Encurralada pelos teus braços. 
Beijo o teu beijo,
No baralho dos lençóis
De sons opacos.
A pele das tuas mãos
Nos traços do meu corpo e
A transpiração que escorre
Entre sôfregos sopros.
O longe fica perto,
Tudo em volta corre.
O errado ilude o certo e
No eco do sossego
Ouve-se amo-te"
Dum incógnito no apego.
27.10.2011

Backward

"Ouro sob Azul" | shoot me



"We wouldn't call it falling in love 
If we didn't get hurt by the fall."

Protagonista

  "Dissolvo-me no que faço com alma.
Nada é dito.

Só tu, eu...
E o mundo, na minha palma.”


Room to Rent

Need a place to leave
My soulless body or my
Bodiless mind, when one
Of them gets hard to bear.

A space where I can scream
Back the things you
Didn't know you needed.
And didn't took care.

A box where I can quietly
Stand and pour my heart out.
I'll settle a warm, gentle couch
To rest my lucidity.

A case to keep the deserted
Heart you gave me.

Between four walls, 
Pausing under a glass roof 
So I can see you go on
Composing that cheating smile.

I'm not just another
One on this isle.

21.10.2011

"Around the Bend"  | Francisco Lima 
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Paused

How could you make me cry
On this beautiful sunny day? 

Why couldn't you hold me and love
The words you'd thought to say?

I'm stuck halfway on this staircase,
Holding back, grabbing the rail. 

I glimpse at you gazing at me 
Looking at you.

How can you just linger
As I turn away?

"Bloom" | Miguel Andrade | Fotografia

I hate loving you.

Defeito

Memorizo as vistas passageiras,
Os mais bonitos poemas descritos.

Ondas como danças ligeiras
Num ocaso entristecido.
 
Inspiro e expiro os apertos
Que me causas, enquanto
Seguro as pontas dum tempo interrompido.


Silhuetas em finas linhas,
A tua sombra na minha,
Desenhadas em lençóis de cetim.

marco


Entro pela multidão,
Percorro avenidas e ruas.
Sigo a calçada portuguesa
Até que o vejo, numa esquina nua.

Ali, radiante.

Tornou-se rotina parar
Diante dele, mas distante
E sorrir.
Apenas sorrio.

“Um dia, atravesso a estrada.”

Corro por entre os vazios e
Abraço-o, sem palavras.

Paraliso ao som dos passos
Rítmicos do povo armado.

Transborda de cartas tuas,
Sentenciadas a silêncio abafado.